Workshops especializados e um painel internacional reforçam o diálogo sobre a convivência, o conflito e as ouvidorias universitárias em Córdoba.

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UtepsaAux Novembro 17, 2025 0 Comments

A Faculdade de Línguas da Universidade Nacional de Córdoba (UNC) tornou-se um ponto de encontro onde estudantes de diferentes países da América Latina puderam ver-se, ouvir-se e reconhecer-se nos seus desafios comuns. Aí, foi realizado um debate para refletir sobre o papel dos estudantes na defesa dos direitos e na construção de uma vida universitária mais justa, participativa e humana. O evento inseriu-se no 2º Intercâmbio de Boas Práticas Europa-América Latina, um fórum que procura fortalecer o trabalho das ouvidorias universitárias e promover uma cultura baseada no respeito e na escuta ativa.

O debate, intitulado “Ouvidorias Universitárias e Direitos dos Estudantes”, foi coordenado por Emilio Olías Ruiz, ex-Ouvidor da Universidade Carlos III de Madrid e coordenador geral do Projeto Bravioo. Participaram no evento representantes da Federação Universitária de Córdoba (FUC), delegações estudantis de vários países e figuras institucionais como Ana Yukelson, Provedora da Comunidade Universitária da Universidade Nacional de Córdoba (UNC). Yukelson ofereceu uma visão em primeira mão sobre o funcionamento local da provedoria.

O painel foi moderado pelos coordenadores estudantis Maximiliano Chirino (UNC), Sofía Rodríguez Azcona (UNNE) e Carlos Bustamante Galdames (UFRO-Chile), que promoveram uma atmosfera de confiança na qual os estudantes se sentiram à vontade para falar abertamente. Romina Fedurquevich, presidente da Federação Universitária do Nordeste (FUNNE), participou virtualmente, enquanto Constance Keegan, presidente da FUC, participou presencialmente, enriquecendo ainda mais a diversidade de perspetivas.

Os temas que emergiram refletem as preocupações mais prementes da vida universitária contemporânea: a necessidade de mecanismos reais e acessíveis para a defesa dos direitos, a falta de informação sobre o papel dos provedores dos alunos, a urgência de promover uma participação dos alunos que não seja meramente simbólica e a importância de construir campus onde não haja lugar para a discriminação, a violência simbólica ou práticas que prejudiquem os estudantes. A saúde mental foi um tema recorrente ao longo da discussão. Os estudantes concordaram que necessitam de mais espaços de apoio, acolhimento emocional e assistência institucional, especialmente num contexto em que as exigências académicas, sociais e económicas impactam diretamente o seu bem-estar.

A discussão revelou ainda que, para além das diferenças entre universidades e países, existem preocupações comuns em toda a região. A falta de informação sobre os serviços de apoio, as dúvidas e os receios em relação à denúncia de abusos e a desconfiança nos canais institucionais são experiências recorrentes. Ainda assim, tornou-se claro que existe uma vontade colectiva de avançar para universidades mais democráticas, mais sensíveis e mais abertas.

Um dos aspetos mais valorizados pelos participantes foi a oportunidade de dialogar em pé de igualdade com alunos de outros países, partilhar experiências e comparar realidades. Este intercâmbio deixou claro que a cooperação regional não é apenas uma intenção diplomática, mas uma ferramenta concreta para fortalecer as ouvidorias universitárias e elaborar políticas estudantis que realmente respondam às necessidades do dia-a-dia.

A reflexão final foi marcada por um amplo consenso de que as ouvidorias universitárias são espaços essenciais para garantir a escuta, a mediação e a orientação, mas a sua eficácia depende também do empenho ativo do corpo discente. Sem a sua participação, qualquer mudança institucional permanece incompleta.